A hepatite C é uma infecção viral causada pelo vírus C da hepatite, podendo se manifestar de forma aguda ou crônica, sendo a forma crônica a mais comum. Ela é caracterizada por um processo inflamatório persistente no fígado, que pode evoluir silenciosamente, causando danos progressivos ao órgão.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% (entre 55% e 85%) dos casos agudos de hepatite C evoluem para formas crônicas. Entre os casos crônicos, o risco de desenvolver cirrose é de 15% a 30% em um período de 20 anos.
No Brasil, estima-se que cerca de 700 mil pessoas com idades entre 15 e 69 anos sejam soropositivas para o vírus da hepatite C e precisem de tratamento. Como a maioria dos infectados (cerca de 80%) não apresenta sintomas, a realização de testes rápidos ou sorológicos é fundamental para a detecção precoce da doença. O diagnóstico definitivo é feito através da confirmação da carga viral, por meio do exame HCV-RNA.
O teste de anticorpos anti-HCV serve para indicar o contato prévio com o vírus, mas, isoladamente, um resultado positivo não diferencia uma infecção ativa de uma infecção resolvida. Portanto, um resultado positivo para anti-HCV precisa ser complementado com o exame da carga viral para confirmar a infecção ativa.
Tratamento
Historicamente, o tratamento da hepatite C era feito com interferons e ribavirina, com uma taxa de resposta sustentada de apenas 40%. No entanto, a introdução dos antivirais de ação direta (DAA) revolucionou o tratamento, proporcionando taxas de cura superiores a 95%. Esses medicamentos, além de serem bem tolerados, exigem tratamentos que variam entre 12 e 24 semanas.
O objetivo do tratamento é alcançar a resposta virológica sustentada (RVS), que é definida pela ausência de HCV-RNA 12 ou 24 semanas após o término do tratamento. A RVS está associada a uma diminuição das complicações hepáticas e extra-hepáticas da doença.
Risco de reinfecção e monitoramento
Embora o tratamento seja eficaz, a hepatite C não oferece imunidade protetora, o que significa que há risco de reinfecção. Pacientes com fibrose hepática avançada (F3 e F4) não devem ser considerados curados após a obtenção da RVS, pois continuam com risco de complicações hepáticas. Esses pacientes precisam de acompanhamento contínuo, incluindo:
Rastreamento de carcinoma hepatocelular (CHC)
Monitoramento de varizes gastroesofágicas em estágio F4
Controle de fatores de risco, como consumo de álcool, drogas, tabaco, obesidade e distúrbios metabólicos
Por outro lado, pacientes com fibrose hepática em estágios iniciais (F0–F2) podem ser liberados após alcançar a RVS, a menos que apresentem fatores de risco adicionais, como coinfecção por HIV/HBV, etilismo, obesidade ou diabetes. Esses pacientes devem continuar sendo monitorados regularmente.
Objetivo de eliminação da hepatite C
Com os avanços no diagnóstico e tratamento, a eliminação da hepatite C como um problema de saúde pública é um objetivo alcançável. Para isso, é essencial expandir o acesso à testagem, ao tratamento e ao acompanhamento adequado dos pacientes, garantindo um futuro livre das complicações dessa infecção.