A infecção pelo vírus da hepatite B (HBV) continua a ser um grande desafio para a saúde pública no Brasil e no mundo, devido à sua alta morbidade e mortalidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 257 milhões de pessoas vivem com infecção crônica pelo HBV globalmente, com 900 mil mortes anuais atribuídas a essa infecção — sendo a maioria causadas por cirrose e carcinoma hepatocelular (CHC), frequentemente associadas à coinfecção com o vírus da hepatite D (HDV).
Situação no Brasil
No Brasil, aproximadamente 1,1 milhão de pessoas vivem com infecção crônica pelo HBV, o que corresponde a cerca de 0,52% da população. A taxa de detecção da hepatite B no país tem apresentado variações mínimas nos últimos anos. Em 2019, foram registrados 6,3 casos a cada 100 mil habitantes, número que caiu para 3,8 em 2020 e 3,4 em 2021 — um declínio que pode estar parcialmente relacionado à pandemia de COVID-19, que afetou a realização de exames e a organização dos serviços de saúde.
Transmissão e prevenção
A hepatite B é transmitida principalmente por:
Via sexual
Via sanguínea (por compartilhamento de agulhas, seringas ou materiais de higiene pessoal)
Transmissão vertical (da mãe para o bebê durante a gestação ou parto)
Contato próximo com feridas
Historicamente, também houve transmissão por transfusões de sangue antes da introdução dos testes de triagem em 1993.
A principal forma de prevenção é a vacinação, introduzida no Brasil a partir da década de 1990. A vacina passou a ser aplicada a todas as crianças e, em algumas situações, também a adultos em risco. A vacinação universal tem mostrado bons resultados, especialmente entre pessoas com menos de 40 anos, faixa etária que apresenta declínio nas taxas de detecção da infecção.
Potencial de transmissão e cronificação
O HBV possui alto potencial de transmissão, sendo dez vezes mais transmissível que o vírus da hepatite C (HCV) e cem vezes mais transmissível que o HIV por exposição percutânea ocupacional. Além disso, o vírus pode permanecer infeccioso por até uma semana em superfícies contaminadas com sangue seco, o que aumenta o risco de transmissão em ambientes como clínicas de hemodiálise.
O risco de cronificação depende da idade da exposição:
Em recém-nascidos: até 90% de chance de cronificação
Em adultos imunocompetentes: menos de 5%
A infecção crônica pode evoluir para cirrose e, eventualmente, para carcinoma hepatocelular (CHC). Em indivíduos com cirrose, a taxa anual de progressão para descompensação hepática é estimada em 3%.
Mortalidade e prognóstico
A hepatite B crônica está associada a aumento da mortalidade por cirrose e câncer hepático. A incidência anual de CHC é inferior a 0,6% em pessoas sem cirrose, mas pode chegar a 2–3% em pacientes com cirrose hepática.
Conclusão
A hepatite B continua sendo um importante problema de saúde pública mundial. No entanto, estratégias de prevenção, como vacinação, e o tratamento precoce têm mostrado resultados promissores na redução da morbidade e mortalidade associadas ao HBV. No Brasil, o controle da hepatite B depende de esforços contínuos para melhorar as taxas de detecção, ampliar a cobertura vacinal, garantir acesso ao tratamento e promover a educação sobre formas de transmissão e prevenção.